Eu já não sei se tá tudo tão bem assim. As coisas andam estranhas. Os beijos estão diferentes. Não tem mais aquele frio na barriga que precedia o calor no peito. Nem sempre as mãos estão entrelaçadas. Não existe mais aquela expectativa pro próximo encontro. A rotina se fez presente e pesada. A indiferença virou minha melhor amiga. Eu não consigo ser completamente honesta em relação a tudo o que eu sinto. Porque eu sei que a reação não vai ser das melhores. Não vai ser madura. Mas tentar colar as partes que ainda restam não parece uma alternativa pra mim. Eu tô me despedaçando no processo.

Existe o amor da nossa vida, e o amor pra nossa vida. Nem sempre os dois são a mesma pessoa. E isso dói.

Nem sempre as borboletas precisam viver no estômago. As vezes elas vivem entre as pernas e tá tudo bem também.

São mais de dois anos desde o último contato. Desde a última conversa. O último abraço. A última cerveja. A última crise de riso. Será que se a gente soubesse, que seriam tantas últimas vezes, as coisas teriam sido diferentes? Tantas palavras ficaram por ser ditas. Tanta coisa ficou pelo caminho. Muita coisa ficou atada na garganta. Eu queria que você lesse tudo isso, mas dessa vez não será possível porque eu escolhi sumir da sua vida. Escolhi não te mostrar o que se passa na minha mente ímpar. Escolhi cavar todo esse abismo. Droga! Como eu sinto falta dos “papos cabeça” sobre o universo e tudo mais. Sobre o pálido ponto azul. Das conversas sobre novas descobertas. E sobre antigas teorias. Eu sinto falta de poder conversar sobre qualquer coisa a qualquer hora. De não receber sermão quando duvido da minha própria fé. Seja na vida. Seja em mim. Eu queria saber que seria o primeiro e último carnaval. O ano novo. As últimas tardes olhando o mar. As últimas borboletas.

Mesmo que eu diga que não, é óbvio que eu quero grandes declarações, atos de coragem, buquês enormes de rosas. Por mais que eu negue e diga que tanto faz, sou uma romântica. Gosto de flores, cartões, músicas cantadas ao pé do ouvido ou olho no olho. Eu gosto de ser tirada pra uma dança no meio da rua, no meio da semana, mesmo que não tenha nenhuma música tocando. Eu gosto de receber mensagens inesperadas, músicas que fizeram alguém lembrar de mim. Mesmo que eu diga que não, eu quero um grande pedido, escolher um vestido e caminhar para o sim. Eu construí muros enormes pra evitar mais traumas, digo que não mas eu quero sim. Eu só tenho medo de perder tudo outra vez.

um-cartao:

Afastou, sentiu. (em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro)
https://www.instagram.com/p/CFs3ncVJdkI/?igshid=bsgt2bfrppz

Eu sinto saudade de falar bobeira até de madrugada. Conversar sobre o universo e tudo mais. Rir de coisas que ninguém mais acha graça por não enxergar o mundo do mesmo jeito. Sinto saudade de ler o pálido ponto azul e compartilhar as lágrimas de emoção que rolaram. Queria poder contar da série daquele cara que você também gosta. Só você ficava animado com os episódios de Lúcifer também. Sinto falta de andar atoa por aí e lembrar das coisas de mil anos atrás. E de rir de todas as bobeiras que a gente pensava de todo mundo daquela época. Sinto falta da sua amizade e isso dói. Mas não sei se dói mais do que te ter por perto devido as circunstâncias.

Sou do tipo de pessoa que chora em casamentos. A noiva entrando e eu segurando as lágrimas. O padre/pastor realizando a cerimônia e o olho turvo. Os noivos trocando os votos e as lágrimas rolando porquê não consegui mais segurar.

Nunca me imaginei de branco caminhando até o altar. Alguém que me ama me esperando no fim do caminho. Votos bonitos e sinceros. Uma festa cheia de gente rindo e brindando.

Não. Isso não é pra mim. Duas pessoas diferentes dividindo o mesmo teto não é pra mim. Duas pessoas que discordam como manter as coisas no lugar. Que precisam dividir as contas e os fardos. Chegar em casa querendo silêncio e ter alguém querendo conversar não é pra mim. Eu não quero isso de novo.

Eu nunca tive uma festa de casamento, mas dividi o teto por anos com alguém que me fez nunca mais querer dividir o teto com alguém. Ao invés de uma festa eu ganhei um trauma. Imagina gastar horrores. Ser extremamente feliz naquela noite. Tirar mil fotos pra nunca esquecer. E depois de alguns anos assinar os papéis do divórcio porque é difícil lidar com outra pessoa.


Eu choro em casamentos porque são lindos. Emocionantes. Mas nunca serão pra mim.

montygreen:

— Nikita Gill

Nesses últimos dias eu não me reconheço mais. Não sei mais quem é a pessoa acima do peso que vejo no espelho. Não sei quem é que tenta entrar nas roupas que eu usava meses atrás. Eu não sei quem é essa pessoa que o tempo todo chora. Não sei quem é essa que roubou o meu prazer de comer e transformou em algo ruim. Que faz com que me sinta culpada por cada mordida. Por cada centímetro de quadril e barriga que ganho a cada mês de isolamento. E como odeio com todas as forças o que vejo no espelho, não sobra força nenhuma pra mudar. Eu fui engolida por tudo isso e não sei voltar.